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Trabalhos acadêmicos


O jogo e os jogos: o jogo da leitura, o jogo de xadrez e a sanidade mental em 'A defesa Lujin', de Vladimir Nabokov

Dissertação de Mestrado em Letras - Teoria da Literatura e Literatura Comparada. UERJ - 2014.

Resumo:

CAMPOS, Simone. O jogo e os jogos: o jogo da leitura, o jogo de xadrez e a sanidade mental em 'A defesa Lujin', de Vladimir Nabokov. Orientador: Prof. Dr. João Cezar de Castro Rocha. Rio de Janeiro: UERJ, 2014. 77p. Dissertação. (Mestrado em Letras - Teoria da Literatura e Literatura Comparada).

No romance A defesa Lujin, de Vladimir Nabokov, publicado em russo em 1930, o texto procura levar o leitor a adotar processos mentais similares ao de um jogador de xadrez e de um esquizofrênico, características do personagem-título do romance. Delineiam-se as expectativas e circunstâncias de um ser de papel que se vê jogando um xadrez em que também é peça e traçam-se paralelos com as expectativas e circunstâncias do leitor perante esse texto literário. O prefácio de Nabokov à edição em inglês de 1964 é tomado como indício de um leitor e um autor implícitos que ele procura moldar. Para análise dos elementos textuais e níveis de abstração mental envolvidos, recorre-se à estética da recepção de Wolfgang Iser e a diversas ideias do psiquiatra e etnólogo Gregory Bateson, entre elas o conceito de duplo vínculo, com atenção às distinções entre mapa/território e play/game. Um “duplo duplo vínculo” é perpetrado na interação leitor-texto: 1) o leitor é convidado a sentir empatia pela situação do personagem Lujin e a considerá-lo lúcido e louco ao mesmo tempo; e 2) o leitor é colocado como uma instância pseudo-transcendental incapaz de comunicação com a instância inferior (Lujin), gerando uma angústia diretamente relacionável ao seu envolvimento com a ficção, replicando de certa forma a loucura de Lujin. A sinestesia do personagem Lujin é identificada como um dos elementos do texto capaz de recriar a experiência de jogar xadrez até para quem não aprecia o jogo. Analisa-se a conexão entre a esquizofrenia ficcional do personagem Lujin e a visão batesoniana do alcoolismo.

Trechos:

“Em A defesa Lujin, conforme assinalamos, há uma experiência que se repete para o leitor: quando tudo parece que vai melhorar, surge um elemento textual imprevisto e bloqueia a possibilidade de Lujin ser feliz. Assim, é possível que o leitor comece a tentar manter todos os elementos do texto em vista, mesmo quando o elemento foi aparentemente deixado de lado pelo narrador, pois esse elemento pode emergir do esquecimento e causar “surpresas” desagradáveis tanto pelo seu efeito imediato como pelo fato de não serem realmente surpresas, e sim descuidos do leitor (afinal, todas as pistas estavam lá, apenas um pouco afastadas no horizonte textual...). Ou seja, a atitude mental sugerida para o leitor em A defesa Lujin assemelha-se à do bom jogador de xadrez, que precisa manter o máximo de sequências possíveis de jogadas em vista a todo momento.” (p. 42-43)

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O e-book e além: projeções e implicações para autores, editoras e para a leitura no Brasil

Monografia de fim de curso de comunicação social - produção editorial na UFRJ (2009) - graduação.

Resumo:

CAMPOS, Simone Silva. O e-book e além: projeções e implicações para autores, editoras e para a leitura no Brasil. Orientador: Prof. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: UFRJ/ECO, 2009. 77p. Monografia. (Graduação em Comunicação Social – Produção Editorial).

Em um mercado em mutação, os agentes do mercado editorial (incluindo autores e leitores) têm necessidade e oportunidades para redefinir seu papel, participação e fatia nos lucros de sua atividade. Este trabalho explora várias maneiras de cada parte envolvida fazer isso no contexto brasileiro e como a interação entre elas pode vir a alterar o equilíbrio de poderes e transformar o mercado.
A abordagem inspira-se no recente fiasco da indústria fonográfica em lidar com as mudanças trazidas pela digitalização. O trabalho trata da iniciativa do produtor cultural (o escritor) em adequar seu produto à nova realidade e tirar proveito financeiro e pessoal disto. A história do direito autoral e da pirataria é brevemente analisada para entender o papel do grátis na nova economia. O papel do governo brasileiro também é analisado. Na conclusão, apresentam-se novos modelos de exploração do negócio editorial e perspectivas de sobrevivência dos negócios atuais (editoras, livrarias, gráficas).
Palavras-chave: e-book, e-reader, livro eletrônico, dispositivo de leitura digital, inclusão digital, mercado em transformação, nova economia, pirataria, copyright, Creative Commons, propriedade industrial, direito autoral, mercado editorial, editoras, leitura, livro no Brasil, políticas governamentais, PNLL, vale-cultura, educação, iniciativa, produtor cultural.

Trechos:

“Uma parte pouco discutida da história do livro é iluminada por Chartier e Epstein quando falam do papel decisivo do que hoje seria classificável como pirataria no começo das indústrias editoriais de seus respectivos países (França e Estados Unidos). Desde o século XVI, pequenas editoras francesas do interior tinham por hábito reimprimir, sem autorização, livros traduzidos e livros das editoras das capitais. Do outro lado do Atlântico, editoras hoje grandes, como a Harper, fundaram-se, no início do século XIX, sobre a pirataria de grandes autores britânicos, antes do mercado norte-americano crescer demais e o pagamento de direitos dessas obras ser exigido (EPSTEIN, 2002, p. 96); nesse ponto, tais editoras acorreram à produção nacional norte-americana. Na Rússia do século XX, havia os samizdat, obras proibidas pelo regime socialista que eram copiadas à mão ou à máquina e passadas adiante. Segundo Lindoso (2004), editoras do Rio Grande do Sul incorriam na prática de traduzir sem pagar direitos durante os anos 1930-40. Talvez não haja relação de causa e efeito, mas fato é que hoje a França, os EUA, a Rússia e o Rio Grande do Sul são hoje locais de reconhecida pujança literária. No mercado brasileiro atual, apenas algumas editoras parecem coibir ativamente a pirataria, seja esta em formato eletrônico ou em fotocópia (COZER, 2009a; MONTEIRO, 2009).” (p. )

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Mudanças no equilíbrio de poder: o caso Napster

Monografia de fim de curso de comunicação social - jornalismo na UFRJ (2004) - graduação.

Por que você deve lê-la: é uma narrativa apaixonada e informativa do impacto que a internet teve na disseminação de uma determinada informação (a música). Usa experiência pessoal e análise do discurso jornalístico (Fairclough, Milton Pinto) para analisar as tendências de redistribuição de poder.

Resumo:

CAMPOS, Simone. Mudanças no equilíbrio de poder: o caso Napster. Orientador: Prof. Paulo Vaz. Projeto Experimental (Jornalismo), Escola de Comunicação. Rio de Janeiro: ECO/UFRJ, 2004. 64p.

A cobertura jornalística do caso Napster defendeu o usuário ao invés das gravadoras.
O objetivo do trabalho é diagnosticar uma mudança no equilíbrio de poder e como a imprensa participa dela: “informando sobre” e ao mesmo tempo “colaborando para”. Crítica à própria imprensa durante esse processo. Mostrar que as redes P2P (peer-to-peer, “ponto a ponto” ou “de usuário a usuário”) são democráticas, mas nem tanto. Abordagem da história do formato de compressão de áudio MP3 e do programa disseminador de MP3 de maior sucesso, o Napster; do problema de direitos autorais na internet; e da relação entre história da internet e da indústria musical e os conceitos por trás das reportagens sobre o assunto.
Após contextualizar o leitor, o método utilizado para demonstrar o desfavorecimento das posições das gravadoras foi a análise (predominando a análise de discurso) de um corpus de textos da Folha de São Paulo e O Globo.

Palavras-chave: Napster, poder, mudança, imparcialidade, gravadoras, internet, MP3, indústria fonográfica, direito autoral, análise de discurso, “just browsing”.

Trechos:

"Eis a questão: quando o entusiasta da música percebeu que, como ele, muita gente (e cada vez mais gente, pois o número de usuários aumentava a olhos vistos) estava insatisfeita, ele concluiu que as gravadoras é que estavam erradas. O usuário perdeu sua timidez ao constatar-se massa (FREUD, 1974, p. 96 e 97), uma massa com os mesmos interesses, conectada através de um sistema tecnológico revolucionário e voltada para um mesmo ideal quase romântico. O Napster virou uma desobediência civil globalizada (THOREAU, 1876). O senso de responsabilidade de cada indivíduo enfraqueceu: sim, parecia com roubar música, mas as gravadoras não podem processar a todos nós, simplesmente porque precisam de nós – como consumidores . Nem os artistas poderiam reclamar, pois isto os tornaria impopulares . Seria um tiro no pé." (p. 24)

"Aliás, bastaria uma brainstorm entre as editorias de Economia e Informática para perceber que o grande problema é o conflito ideológico: uma ética de mercado pode colidir de frente com a ética hacker; assim como, em algumas de suas formas, a Nova Economia erode a Velha Economia (LESSIG, 2001, 127-129)." (p. 37)

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